segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

I Fórum de Mobilidade Urbana do Ibura/Jordão


O Recife enfrenta hoje um problema comum nas metrópoles: a  morte da mobilidade universal. Dia a dia mais automóveis engolem a  cidade, comprimem as pessoas e degradam os bens comuns. São  engarrafamentos diários, acidentes constantes e cada vez mais tempo  perdido. Para todos, motoristas ou não. Quem não dirige (e quem evita  dirigir) sofre com a falta de investimentos no sistema de transporte  público, em calçadas e em uma rede cicloviária.
Os   ônibus do Recife há décadas não cumprem sua função com respeito, a usuários  ou trabalhadores. Metrô está no limite. Calçadas são estreitas,  precárias ou inexistem, faixas de pedestres não são respeitadas como  antes. Ciclistas enfrentam perigos diários num convívio mal-orientado com os automóveis. Idosos, crianças e deficientes enfrentam inúmeros  obstáculos para se deslocar.
 Saldo: atrasos, prejuízos, mortes,  mutilações.
Enquanto isso, as promessas de campanha de todas as cores não resistem a uma  gestão política diária que segue priorizando automóveis e sua gula. A  lógica: duplicar vias, construir viadutos e naturalizar as infrações de  trânsito, que só favorece o uso irracional e antissocial do carro. Prova, mais uma, de que investir no convite aos carros é prejuízo.
A mobilidade é essencial para ir ao trabalho, estudo, casa, lazer. Para a cidade funcionar e as pessoas viverem. Para fazerem cultura. Para fazerem política. Para fazerem a cidade. Nas diversas regiões administrativas, faz-se necessário um sistema local de mobilidade urbana. Eficaz, democrático e sustentável.
É urgente investir na qualidade de vida da população de todo o Recife:  garantir um verdadeiro transporte público, um sistema cicloviário seguro e eficiente, o acesso às pessoas com necessidades especiais, calçamento  amplo e adequado, redução de velocidade de vias para maior segurança e  racionalidade, efetiva integração entre os transportes, redução da  dependência do petróleo e, o “Grande Tabu”: restrições ao uso do  automóvel. Afinal, em que momento aceitamos que o consumidor de carro  deva se deslocar mais facilmente, degradando as condições de vida dos  demais cidadãos? A nossa sociedade, a(s) nossa(s) cidade(s), o  nosso  Recife, só funcionará se o deslocamento urbano se tornar uma  ação livre e igual para todos.
Com a Copa do Mundo grandes investimentos serão feitos na cidade. Fala-se em legado para a cidade. Qual será? Uma série de obras convenientes para políticos e empreiteiras (e não para a população)? Os mesmos que  aprovaram um Plano Diretor de Transporte Urbano sem levar em conta seus usuários?
Os jornais estampam o caos que alimentamos. Especialistas e ativistas  concordam que seguimos aprofundando a desigualdade e aniquilando a  liberdade (e o prazer) de se deslocar pela cidade. É necessário repensar o espaço urbano e as nossas relações dentro dele. Como queremos Recife para os próximos anos e gerações?
Convocamos todas as pessoas interessadas em repensar um Recife com igual  oportunidade de mobilidade para todas as classes e todos os meios de  transporte a comporem o I Fórum de Mobilidade Urbana do Ibura/Jordão.  Sua primeira reunião será no dia 15 de janeiro de 2013, na Escola Municipal Maria Sampaio de Lucena, UR-01 Cohab, Recife/PE.

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